Perder fios de cabelo faz parte do ciclo fisiológico de renovação do folículo. Cada fio nasce (anágena), passa por uma transição (catágena) e entra em repouso programado (telógeno), até cair para dar lugar a um novo. Em condições normais, a perda diária situa-se entre 50 e 100 fios.
O que realmente importa não é a queda em si, mas a mudança no padrão — e é aí que entra o olhar de quem entende do assunto.
Quando provavelmente é normal
- A quantidade de fios perdidos se mantém estável há meses ou anos
- Houve um evento pontual (febre alta, cirurgia, pós-parto, dieta restritiva) e a queda aumentou 2 a 3 meses depois — isso se chama eflúvio telógeno e tende a se resolver sozinho
- A densidade do cabelo se mantém a mesma em fotos comparativas
Quando vale investigar com um especialista
- A queda intensa persiste por mais de 2 a 3 meses sem melhora
- Surgem falhas delimitadas, manchas circulares ou afinamento progressivo em regiões específicas
- Há coceira, descamação, vermelhidão ou dor no couro cabeludo
- Existe histórico familiar e você percebe o cabelo ralear com o tempo
O folículo piloso funciona como um sensor biológico. Muitas vezes a queda é o primeiro sinal de algo que merece atenção — e identificá-lo precocemente faz toda a diferença.
O que uma avaliação capilar investiga
Em uma consulta tricológica, o objetivo é entender a causa antes de pensar em tratamento. Isso passa por três etapas:
- Anamnese detalhada: alimentação, rotina, estresse, medicamentos, histórico familiar
- Tricoscopia: exame que amplia a visualização do couro cabeludo e identifica miniaturização, inflamação e alterações no óstio folicular
- Exames laboratoriais dirigidos: ferritina (alvo > 30–70 ng/mL), TSH, T4 livre, vitamina D, B12, zinco, além de marcadores inflamatórios (VHS, PCR) e autoimunes (FAN) quando indicado
Com esses dados, é possível distinguir situações que pedem condutas completamente diferentes — desde uma queda temporária por estresse (eflúvio telógeno) até um padrão genético (alopecia androgenética) ou uma quebra de imunoprivilégio (alopecia areata), tema que explorarei em outro artigo aqui do blog.